O bullying além da escola

 

Autores: Annematti Collot D’Escury e Ad C.M. Dudink

Livro: Handbook of Bullying in Schools – An International Perspective. Routledge, New York, 2010.

Tradução; Valeria Rezende da Silva.

 

“Crianças que sofrem bullying na escola geralmente participam de esportes como um fator de proteção contra o bullying. No entanto, estarão elas  ’a salvo’ do bullying durante a participação no esporte ou ele fica ainda pior? O judô é um esporte  tido como estimulando o desenvolvimento de qualidades protetoras. Quando um pai diz, ‘Jim precisa de mais autoconfiança; o judô poderia ser uma coisa boa’, será mesmo uma boa coisa ou as vítimas são simplesmente alvos duplos? São eles primeiro vitimizados na escola e depois, novamente, no tatami na aula de judô?

Neste capítulo vamos questionar o valor do esporte como um valor de proteção contra o bullying. Bullying tem sido estudado no contexto do esporte (Endresen & Olweus, 2005) e os resultados destes estudos confirmam nossa hipótese de que a maioria das crianças que sofre bullying na escola também sofre nos esportes. Os esportes não são necessariamente uma vacina contra bullying. Ao contrário, pode ser um contexto de risco em relação a vulnerabilidade de comportamento bullying. Isto pode acontecer porque os técnicos interferem menos, as crianças falam menos de bullying  com seus técnicos em comparação com os professores da escola, as crianças podem sentir que os próprios técnicos são bullies e os técnicos podem estar menos conscientes sobre bullying (Endresen & Olweus, 2005). Ensinar aos técnicos os sinais de bullying e vitimização bem como as intervenções, pode ser um componente importante do esporte. Se os técnicos não forem ensinados sobre como identificar e responder ao bullying, então aconselhar uma criança que está sofrendo bullying a se envolver com esportes porderia ser a mesma coisa que atirar um cordeiro no meio de leões. Mais importante, o conselho para participar de esportes deve estar relacionado às características individuais da criança.

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O papel dos esportes no fenômeno bullying é frequentemente mencionado na literatura mas é bem menos estudado. As crianças participam dos esportes por várias razões. Além disto, os esportes são um bem importante nas campanhas de saúde e na luta contra a obesidade. Os esportes são importantes para a aptidão física e mental já que as pessoas que praticam esportes assistem menos à televisão, ingerem menos álcool, fumam menos e usam menos drogas do que os não envolvidos. Numa base individual, o esporte é bastante recomendado como um meio de aumentar a força psicológica e a resiliência. Acredita-se que  crianças tímidas, retraídas ou que ocupam uma posição baixa na hierarquia social  aprendam a superar sua timidez, aumentar sua confiança e a assertividade através dos esportes. Desta forma, o esporte pode servir como um fator de proteção contra o bullying.

Participar de esportes tem numerosos benefícios. Comunicação é usada quando os jogadores dão feedback aos outros (p.ex., este passo foi muito lento, este passe foi muito alto, este passe foi bom). Ao se comunicarem, os jogares estão conscientes da presença do outro para utilizar o trabalho em equipe e aumentar a possibilidade de sucesso da equipe. Também importante no esporte é a resiliência física e mental. Isto pode incluir situações em que uma equipe aumenta sua força mental contra uma equipe mais habilidosa ou quando um indivíduo tem de ser fisicamente forte a fim de manter a posição. Estas características valiosas no esporte são semelhantes àquelas mencionadas em programas que pretendem reduzir bullying e vitimização (Olweus, 1994; Stevens et alii, 2000).

O esporte pode também reduzir ou evitar o comportamento bullying. Em esportes coletivos os alunos têm de trabalhar juntos e apoiar seus companheiros. Não importa quão habilidoso seja um atleta, ninguém pode ganhar um jogo sozinho. Nem mesmo Michael Jordan poderia ganhar um jogo por ele mesmo(embora provavelmente tenha chegado perto disto). Ao criar um plano de jogo e trabalhar juntos, o adversário pode ser desafiado. Cada jogador é importante neste objetivo. Nenhum deles pode ser excluído ou sofrer bullying para não participar, porque isto vai afetar a qualidade de todo o time. Em esportes coletivos, os jogadores têm de aprender a se controlar e a controlar sua raiva. Se um jogador bater incontrolavelmente, isto afeta a qualidade do jogo. Se um bater no outro, não importa o quão irritante e frustrante o oponente possa ser, o que bate é que será expulso. Como resultado, a equipe é penalizada por causa das ações negativas de um jogador. Se um deles xingar o outro ou discutir com o juiz, também haverá consequências negativas. Assim, os esportes coletivos podem oferecer um bom contexto para aprender a controlar a frustração, a cooperar e ser membro de uma equipe, também objetivos nos programas de prevenção ao bullying.

Existem várias razões para ver o esporte como um meio de intervenção, prevenção ou cura do comportamento bullying. Porém, mesmo apesar das razões acima mencionadas poderem ser úteis, existe um outro lado a ser considerado. Mesmo apesar de ser geralmente difícil apontar porque uma criança é vítima de bullying, as características da criança podem ser uma das razões (Camodeca & Goossens, 2005). Ser bem sucedido no esporte frequentemente é uma proteção contra o bullying. O esporte é uma área importante de competência entre crianças do ensino fundamental e do médio. Pesquisas têm mostrado que uma das áreas que as crianças mais valorizam  é o esporte (Harter, 2001). Ser bom num esporte é altamente valorizado pelas crianças e adolescentes e está relacionado a classificação positiva pelos pares. Indíviduos baixos na hierarquia social podem ser vistos como desajeitados e não atléticos. O grupo de baixo status em que são colocados devido às baixas habilidades físicas em esporte pode ser um fator que os torne uma vítima ou um bully-vítima. Ao contrário, também podem se tornar bullies para obterem um nível de status social mais alto.

Além das características individuais que podem questionar o valor positivo do esporte, o seu valor protetor pode também ser questionado a partir de uma perspectiva mais geral. O esporte pode ser mais competição do que colaboração. Por exemplo, os esportes de contato podem realmente induzir agressão.  Podem aumentar as chances de se engajar em comportamento de bullying. Grande parte da satisfação no esporte vem da vitória. No entanto, vencer não pode existir sem perder, o que implica que a contrapartida da satisfação e prazer resultantes da vitória é a frustração resultante da derrota. Os esportes podem conter um componente estimulador (p.ex., o prazer de bater a bola no meio da raquete, pular com perfeição, etc), mas no final a vitória é a meta final.

Várias regras oferecem grandes oportunidades de frustração. As decisões podem ser questionáveis devido à interpretação subjetiva. Às vezes é difícil determinar se alguém está bloqueando o outro, não deixando que ele pegue a bola, ou tentando fazer um brincadeira.

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Outra razão que torna os participantes de esportes vulneráveis ao bullying e/ou vitimização é o fato de que os técnicos raramente são treinados em estratégias de prevenção e intervenção no bullying. Sua formação é basicamente em esportes, incluindo o conhecimento de técnicas e táticas necessárias e pode não incluir a competência social.

…Por outro lado, bullying/vitimização pode oc0rrer menos nos esportes em comparação com a escola. O esporte geralmente requer que os jogadores trabalhem juntos por um objetivo comum, enquanto que na escola a ênfase é maior nas metas individuais. Por outro lado, o esporte possui várias características que aumentam o risco de bullying: é competitivo por natureza, as regras nem sempre são claras, as escolhas podem ser horrendas, para citar algumas.

Um dos esportes geralmente indicados para crianças pequenas que são vulneráveis ao bullying é o judô. O judô, tal como definido por seus fundadores, tem dois princípios: seiyoku e jita kyoei. O primeiro princípio é  técnico e se refere às técnicas necessárias para atingir resultados máximos com mínimo esforço. O segundo é um princípio moral que diz que o judô deve ajudar seus praticantes a se tornarem seres humanos melhores. Estes princípios são contraditórios aos comportamentos de bullying e, portanto, se espera menos bullying no judô em comparação com a escola. De fato, estes princípios podem atéajudar as crianças a se tornarem resistentes ao bullying. No entanto, o judô também é um esporte altamente físico e de contato. Os esportes físicos são relatados como tendo correlação negativa com o julgamento moral e positivo com a agressão, o que contraditoriamente aumentaria o risco de bullying no judô (Bredemeir et alli, 1986; Endresen & Olweus, 2005; Smulders, 2002). Além disto, o judô geramente é recomendado não apenas para as vítimas e potenciais vítimas de bullying na escola, mas também para os bullies e potenciais bullies, o que significa que bullies e vítimas podem estar juntos no judô. De acordo com Olweus (1994), a mera presença de um bully potencial e uma vítima potencial pode ser suficiente para iniciar a dinâmica do bullying; assim, o judô pode oferecer um terreno propício ao bullying. O bullying pode ser instigado através de vários mecanismos de grupo, como frustração, falta de controle ou regras morais. Pode ser sustentado através de outros mecanismos, como a conspiração para ficar calado, ou difusão de responsabilidade, mas a presença de um bully e uma vítima potenciais constitui um importante gatilho. Além disto, o judô é um esporte individual que carece dos mecanismos de equipe e dainterdependência dos jogadores. Portanto, embora o judô seja aconselhado como um meio positivo de desencorajar o bullying e a vitimização, a criança aconselhada a fazer judô pode acabar sendo um alvo duplo, na escola e no tatami.

Uma importante diferença entre o esporte e a escola é a estrutura de uma sala de aula comparada com a estrutura dos ambientes esportivos. Além disto, em vários países, a formação de um professor pode ser diferente da de um técnico de futebol. A escola é um ambiente razoavelmente estruturado com horas regulares e classes e professores estáveis, particularmente no Ensino Fundamental. Por outro lado, os esportes têm uma estrutura muito mais frouxa, com as crianças participando de diferentes modalidades, mudando de técnicos, assim como de adversários e colegas de time. Isto significa que  pode ser ainda mais difícil  reconhecer o bullying no esporte do que na escola. Os professores têm uma formação elaborada em que o desenvolvimento social e emocional, incluindo mecanismos como o bullying, recebem atenção. Técnicos e treinadores têm sua formação constuída principalmente ao redor dos vários esportes e os aspectos táticos e técnicos necessários a eles. Mesmo apesar de eles provavelmente prestarem atenção à interação social e estarem focados num treinamento interpessoal positivo, eles podem não ter sido treinados para reconhecer o bullying ou para intervir quando ele acontece. Portanto, apesar dos esportes serem considerados altamente importantes para uma vida saudável, incluindo o estímulo ao desenvolvimento motor, agilidade, aptidão física, trabalho em equipe, autoconfiança, assertividade, lealdade e amizade, o esporte também contém um risco de bullying, que pode diminuir a autoconfiança e aumentar o comportamento submisso e desdenhoso. No entanto, precisa-se de mais pesquisa sobre o bullying no esporte para substanciar totalmente estes argumentos.

O presente estudo, portanto, pretende oferecer mais informações sobre o bullying nos esportes. Examinou o bullying no futebol, um dos esportes coletivos mais populares na Holanda, bem como no judô, um esporte individual muito popular principalmente entre os alunos do Ensino Fundamental. O bullying foi verificado através de medidas de auto-relato usando informantes múltiplos (crianças e treinadores).

 

Método

Participantes – Foram recrutados de 14 escolas de futebol e 12 de judô, na Holanda.  Eram 441 crianças de 8 diferentes escolas de futebol e 481 de diferentes clubes de judô. Além disto, foram coletados 15 questionários de técnicos de judô.

Medidas e Procedimentos – O questionário desenvolvido para este estudo se baseou no questionário original de Olweus (1978) traduzido e validado para a população holandesa por Mooij (1992). O questionário original continha 39 questões em relação a bullying, incluindo questões sobre sofrer bullying, ser bully, professores que cometiam bullying, bem como questões sobre amigos e amizades na sala de aula. Por exemplo, os participantes responderam itens como: “Com que frequência as crianças dizem coisas desagradáveis e chatas para você na escola”, numa escla tipo-Likert de 5 pontos de “nunca” a “várias vezes por semana”. O questionário original de Olweus foi adaptado para este estudo, incluindo perguntas sobre futebol e judô. Quatro questões foram acrescentadas focando a dinâmica específica do esporte (p.ex., Você já sofreu bullying do seu treinador?” e ” Você pratica bullying em quem?”). O questionário do treinador tinha as mesmas perguntas, feitas a partir da perspectiva dele. Por exemplo, “O que você faz quando  percebe bullying?”. As respostas incluíam: “nunca acontece”, “não faço nada”, “converso com as crianças envolvidas” e “outras”.

O consetimento dos pais foi obtido através das escolas esportivas. As escolas, pais e crianças reagiram de forma muito positiva, resultando num índice de respostas de 75-80%. Os questionários foram preenchidos individualmente na escolinha, depois do treinamento, no dojo (sala de treino), no vestiário ou na cantina da escolinha. Um dos pesquisadores ficava para esclarecer dúvidas individuais.

As perguntas que os participantes fizeram geralmente eram das crianças menores, em relação a aspectos de tempo, como “O que quer dizer o ano passado, ano escolar ou ano de esportes?” ou “O que que eu faço se eu não lutei judô no ano passado?”. Nem todos os técnicos responderam o questionário. Geralmente tinham de treinar outras equipes ou treinarem eles mesmo após o treino das crianças. Quinze relatórios de treinadores foram incluídos.

 

 

 

Discussão

O questionário adaptado parece ser uma medida válida de bullying durante os esportes. A consistência interna foi relativamente igual para os dois ambientes: o da escola e o do esporte. Isto foi consistente para o esporte em geral bem como para judô e futebol separadamente. Portanto, o questionário parece ser uma medida psicometricamente correta de bullying durante os esportes.

No geral, o contexto dos esportes e o contexto da escola não parecem diferir muito. Em outras palavras, as mesmas porcentagens de crianças são identificadas como bullies e vítimas nos dois ambientes. No entanto, estes resultados podem ser mal entendidos devido a restrições de tempo, incluindo “Sofrer bullying uma vez por semana na escola” está perto de 50% dos encontros por semana (i.e., 20%), enquanto  que “Sofrer bullying uma vez por semana nos esportes” está próximo de 50% dos encontros por semana. Em crianças menores, que ainda não participam de jogos, que é o caso principalmente para o judô, pode ser até 100% dos encontros. No entanto, os resultados realmente indicam que o bullying certamente não é menor nos esportes do que nas escolas.

A proteção contra o bullying deve vir dos professores e dos técnicos. No entanto, os resultados indicaram que as crianças falaram menos para seus técnicos,só 14% delas disseram que falaram para eles, enquanto que 70% disseram que falaram para os professores. As crianças falaram menos para os pais quando sofriam bullying no esporte (i.e., 21% no esporte contra 60% na escola). Relataram menos intervenção dos técnicos em comparação com os professores. Vinte por cento das crianças disseram que seus professores interviram, enquanto que 7.6% delas disseram que os técnicos interviram. Ao contrário das crianças, os técnicos disseram que eles sempre ou quase sempre interviram quando perceberam bullying (i.e. 81.7% sempre e 17.3% quase sempre). Um número considerável de crianças relatou que seus técnicos faziam bullying, uma questão não incluída no questionário. Portanto, parece que os esportes não são capazes de oferecer proteção contra o bullying.

Serão as crianças que participam de esporte alvos duplos de bullying? As crianças que sofrem bullying num ambiente claramente são mais vulneráveis em outro ambiente. Das crianças que sofriam bullying no esporte, 65% relataram que sofriam também em outro lugar, ao contrário de apenas 36% que não sofriam bullying. Sofrer bullying num lugar torna a pessoa mais vulnerável ao bullying em outro lugar. Isto também é verdade para o ambiente escolar; no entanto, as porcentagem de sofrer bullying em outro lugar são consideravelmente mais baixas. Isto, no mínimo, lança uma dúvida considerável sobre as qualidades protetoras do envolvimento em esporte.

No  nosso estudo não fizemos distinção entre times principais, consistindo dos melhores atletas, e times secundários. Isto poderia ser importante por uma série de razões. Primeira, o time principal em geral tem um técnico mais profissional, que tem pelo menos uma formação melhor nos aspectos do bullying. O primeiro time também tem mais profissionais envolvidos do que os secundários, que em geral só têm o técnico.  Pode haver mais oportunidade de bullying nos times inferiores já que há menos adultos para controlar os atletas. Segunda, o primeiro time geralmente tem metas mais competitivas e mais regulamentos. No time inferior, as regras são menos definidas e as diferenças entre os jogadores podem ser maiores. Fica claro que quanto mais indefinidas as regras, maiores as chances de bullying. Finalmente, uma das razões para sofrer bullying é não ser bom no esporte, ou dito de outra forma, uma das razões para não sofrer bullying é ser bom nos esportes. Geralmente, as crianças que são encaminhadas para esportes por sofrerem bullying na escola não são bons atletas. A chance destas crianças irem parar nos times secundários é provavelmente maior do que serem selecionadas para o primeiro time. Portanto, as crianças mais vulneráveis (vítimas e bullies) acabam nas equipes menos organizadas e possuem menos proteção contra o bullying.

Existem diferentes razões para a afirmativa de que alunos que não são bons em algum esporte podem ter mais chances de sofrer bullying. Uma delas é que as crianças que sofrem bullying tendem a ser as crianças menos populares. Por outro lado, ser bom num esporte é um bem importante e contribui para a popularidade (Harter, 1998). As crianças podem não ser boas em esportes porque são desajeitadas ou não assertivas o suficiente e esta, novamente, é uma das razões para sofrer bullying (Monks, Smith & Swettenham, 2005). Em relação aos bullies, os professores podem querer ensinar-lhes cooperação e controle da raiva, que são aspectos com um papel importante nos esportes (Terranova et al., 2008).

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… Fatores interpessoais, como o bullying, deve ser uma questão central na formação dos técnicos e treinadores. A pesquisa com questionário é um importante veículo para criar consciência e envolvimento entre os técnicos. No entanto, a consciência não é suficiente; pode ser difícil detectar o bullying na escola, mas ainda é mais difícil nos esportes. Uma situação de treino é muito menos controlada do que uma sala de aula, e o esporte pode conter muito mais elementos sem controle. Surpreendentemente, num destes elementos sem controle, o vestiário, o bullying não foi importante. Isto pode se dever à idade das crianças. No futebol, tomar banho e se trocar não é o comum para os jogadores de 10 a 12 anos e até mesmo para os de 12 a 14, que tendem a chegar já vestidos para o treino. No judô, a troca é obrigatória e o bullying no vestiário realmente foi significativamente maior do que no futebol. Além de aumentarem a consciência, os treinadores têm de aumentar seu conhecimento específico sobre o bullying nos esportes. O questionário adotado em nossa pesquisa mostra que o bullying no esporte é igual ao bullying na escola. Os resultados também revelam que o bullying no esporte tem algumas características diferentes e até diferentes esportes tendem a variar com relação ao bullying.

Encaminhar jovens para fazer esportes é um meio de estimular a assertividade física e mental. O conselho para aderir ao esporte por devido a suas qualidades de aumentar a confiança, resiliência, cooperação e tolerância a frustração pode ser dado sem observar as características do jovem ou criança. O futebol, por exemplo, é a principal atividade entre crianças da escola elementar. Aquelas que não são boas geralmente evitam jogar. As “mentalmente fortes” se tornam juízes, golerios ou tratam de ficar envolvidas de alguma forma, enquanto as mais introvertidas se retraem e tendem a ficar sozinhas durante os recreios. Para estas crianças, o futebol é tido como “não é a minha” e provavelmente nunca vai ser “a delas”, o que não quer dizer que nenhum esporte será “a delas” . Compare, por exemplo, o futebol e o cricket. Futebol requer corrida constante e muito contato físico, enquanto que o cricket requer muita paciência e alta concentração. Aconselhar uma criança a entrar num esporte, particularmente como um mecanismo terapêutico ou de ajuda, deveria exigir pensar sobre qual esporte seria bom para aquela criança em particular (Dudink, 1994).

Sumário de Implicações para a Prática:

1. Aumentar a consciência sobre bullying dos técnicos e todos os envolvidos no gerenciamento e treinamento em esportes. Usar o questionário poderia ser um bom começo.

2. Aumentar o conhecimento de características específicas que contribuem para o bullying em vários esportes. Aumentar a pesquisa sobre bullying nos esportes.

3. Aumentar as habilidades de intervenção de técnicos e treinadores.

4. Aumentar a consciência, conhecimento e mentalidade do bullying entre todos os envolvidos nos esportes, incluindo colegas de time, pares e pais. Adaptar a campanha norueguesa anti-bullying para um ambiente esportivo poderia oferecer boas oportunidades.

5. Mais atenção deve ser dada às características da criança em relação às exigências do esporte em particular.