Como começou a pesquisa sobre bullying

Bullying at School – Dan Olweus, publicado pela primeira vez em 1993.

 

Bullying entre crianças na escola é, sem dúvida, um fenômeno muito antigo. O fato de que algumas crianças são frequente e sistematicamente assediadas e atacadas por outras crianças foi descrito na literatura e vários adultos têm experiência pessoal disto no seu tempo de escola. Embora muitos estejam familiarizados com o “problema bully/vítima), foi só recentemente – no início dos anos 70 – que foram feitos esforços para estudá-lo sistematicamente (Olweus 1973a e 1978). Por vários anos, estas tentativas se limitaram grandemente à Escandinávia. No final dos anos 80 e início dos 90, no entanto, o bullying escolar também recebeu atenção pública e de pesquisa em outros países como o Japão, Inglaterra, Holanda, Canadá, Estados Unidos e Austrália.

Um Esboço Resumido Histórico

Um forte interesse da sociedade nos problemas bully/vítima surgiu primeiro na Suécia no final dos anos 60 e início dos 70 (Heinemann, 1972; Olweus, 1973a), e rapidamente se espalhou por outros países escandinavos.

Na Noruega, os problemas bully/vítima foram uma questão de preocupação geral da imprensa e de professores e pais por muitos anos, mas as autoridades escolares não se envolveram oficialmente com o fenômeno. Alguns anos atrás, houve uma mudança marcante. No final de 1982, um jornal relatou que três meninos de 10 a 14 anos do norte da Noruega tinham cometido suicídio, com toda probabilidade de ser consequência de bullying severo pelos pares. Este evento provocou inquietação e tensão consideráveis na mídia e no público em geral. Engatilhou uma cadeia de reações, cujo resultado final foi uma campanha nacional contra os problemas bully/vítima em todas as escolas norueguesas, do primeiro ao nono anos, lançada pelo Ministério da Educação no outono de 1983.”

Junto com esta campanha, Olweus fez uma grande pesquisa, utilizando um questionário próprio que foi aplicado a mais de 150 mil crianças e jovens. Constatou, então, que cerca de 15% tinham se envolvido em problemas de bullying com alguma regularidade.