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  • VALERIA REZENDE DA SILVA

A fábula do elefante e os cegos

Comecei a ler um livro bem interessante, Bullying from both sides - Strategic Interventions for Working with Bullies & Victims, de Walter Roberts Jr.

Logo nas primeiras páginas, o autor compara o bullying percebido pelas crianças com a fábula dos elefantes e os cegos.

Você conhece essa fábula?




Certo dia, um príncipe indiano mandou chamar um grupo de cegos de nascença e os reuniu no pátio do palácio. Ao mesmo tempo, mandou trazer um elefante e o colocou diante do grupo. Em seguida, conduzindo-os pela mão, foi levando os cegos até o elefante para que o apalpassem. Um apalpava a barriga, outro a cauda, outro a orelha, outro a tromba, outro uma das pernas. Quando todos os cegos tinham apalpado o paquiderme , o príncipe ordenou que cada um explicasse aos outros como era o elefante, então, o que tinha apalpado a barriga, disse que o elefante era como uma enorme panela. O que tinha apalpado a cauda até os pelos da extremidade discordou e disse que o elefante se parecia mais com uma vassoura. "Nada disso ", interrompeu o que tinha apalpado a orelha. "Se alguma coisa se parece é com um grande leque aberto". O que apalpara a tromba deu uma risada e interferiu: "Vocês estão por fora. O elefante tem a forma, as ondulações e a flexibilidade de uma mangueira de água...". "Essa não", replicou o que apalpara a perna, "ele é redondo como uma grande mangueira, mas não tem nada de ondulações nem de flexibilidade, é rígido como um poste...". Os cegos se envolveram numa discussão sem fim, cada um querendo provar que os outros estavam errados, e que o certo era o que ele dizia. Evidentemente cada um se apoiava na sua própria experiência e não conseguia entender como os demais podiam afirmar o que afirmavam. O príncipe deixou-os falar para ver se chegavam a um acordo, mas quando percebeu que eram incapazes de aceitar que os outros podiam ter tido outras experiências, ordenou que se calassem. "O elefante é tudo isso que vocês falaram.", explicou. "Tudo isso que cada um de vocês percebeu é só uma parte do elefante. Não devem negar o que os outros perceberam. Deveriam juntar as experiência de todos e tentar imaginar como a parte que cada um apalpou se une com as outras para formar esse todo que é o elefante."


E o que essa fábula tem a ver com o bullying?

É fundamental perceber como cada pessoa, jovem ou criança, sente o bullying que está sofrendo ou que vê alguém sofrer. Para ele, o bullying é o elefante inteiro, enorme, monstruoso.

Os adultos têm tendência a desmerecer o sofrimento de quem sofre o bullying. Só vê a tromba, o rabo, ou a orelha, dificilmente veem o todo .

Mais difícil ainda para os adultos é saber como encarar uma narrativa de bullying por uma criança ou jovem. Achar que é fraqueza da vítima, que tudo aumenta e não sabe se defender? Ou achar que um episódio pequeno, sem consequências maiores, deve ser levado aos extremos?

Nós, educadores e pais, nos deparamos sempre com essas questões. Para entendê-las precisamos, em primeiro lugar, escutar com atenção o que nos contam ou olhar com olhos de quem quer realmente ver. Aí, com um pouco de reflexão e muito bom senso, devemos nos decidir sobre o que representa aquele fato, orientar a vítima e ficar sempre atento daí em diante.

Não aos extremismos!


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