Prevenir ou intervir? Eis a questão!

 

Tradução do livro Stop Bullying – Las mejores estrategias para prevenir y frenar el acosso escolar, de Nora Rodriguez, Pérez-Galdos, Barcelona, 2006.

Ao contrário do que se acredita, intervir quando há um conflito sem as técnicas de prevenção da violência é ficar no meio do caminho. Existem muitas teorias que defendem a ideia de que só se precisa agir quando o bullying aparece, mas isto é um erro. Não basta não olhar para o outro lado. É preciso preparar os professores para que sejam assertivos e os alunos para que saibam responder às interações sem violência. Cada estratégia escolhida deve envolver o professor e os objetivos que se deseja alcançar, mas também é preciso paciência quando os resultados não aparecem em curto prazo. Às vezes será preciso utilizar uma bateria de técnicas, outras vezes só algumas, ou várias ao mesmo tempo, até conseguir a mudança de comportamento desejada.

Não podemos esquecer que são muitos os fatores familiares e extrafamiliares que condicionam o comportamento das crianças e jovens. Da família extensa onde conviviam tios, avós e até primos, passamos a uma família nuclear que idealiza e mantém relações mais democráticas. Também existem famílias formadas a partir do divórcio, que produz mudanças de conduta importantes nos filhos devido a distintas formas de socialização. Ao mesmo tempo em que a família tradicional vai desaparecendo, o ritmo da vida atual traz novas formas de relação entre crianças e adultos, que deixam de ser estritamente autoritárias para serem mais igualitárias. Este processo acontece porque se dá às crianças uma maior autonomia. Estas mudanças, unidas ao grande poder que as crianças agora exercem sobre pais e professores, está construindo um imaginário social no qual o filho é o novo herói, o novo “rei do lar” (que antigamente era o pai), que domina todo o cenário visual e em quem a família aposta seu futuro.

Pais e professores, convertidos por moda social em “companheiros “ou “amigos” de seus filhos ou alunos, implantam uma “fantasia de igualdade” que desvirtua o poder de coesão social. Diluem-se as funções dos adultos e se enfraquecem as exigências sociais, ao mesmo tempo em que se idealiza a “cultura juvenil”. A juventude se converteu no ideal de muitos que já ultrapassaram até a barreira dos sessenta. Constantemente se “deslegitimam” e  “deslocam” o valor do esforço, a experiência adquirida com o tempo, a importância de se superar uma frustração. Desta forma, vemos a vigência de uma ética baseada na “ganância rápida e fácil”, cujos riscos e códigos de grupo substituem de alguma maneira o “esforço honrado”, persistente e sacrificado em prol de uma fama que se alcança depressa devido à carência de talento. Modelos imitados por novas gerações de jovens que em seu “entusiasmo pela vida “e uma escassa percepção de seus limites, vivem o momento, desejam o consumo imediato, a roupa boa e a boa vida, junto com a satisfação de provocar medo, de sentirem-se poderosos com suas armas. Por tudo isto, o melhor que podemos fazer é ensinar a não favorecer discursos positivos sobre a violência. Pensemos que, quando é necessário intervir, é porque muitas ações já falharam antes.