Tipos de Bullying

 

FÍSICO

 

O bullying físico é o mais visível e, portanto, mais fácil de ser identificado. 

Lembre-se sempre de que bullying é diferente de uma briga que acontece uma vez, de uma discussão que resulta em violência física.  Pra ser bullying tem que ser repetido, acontecer várias vezes, sem nenhum motivo.  Certo?

Inclui bater, puxar o cabelo, beliscar, morder, trancar a pessoa em algum lugar.  Estas ações já aparecem com crianças pequenas da Educação Infantil e dos primeiros anos do Fundamental.

Este foi um caso que ficou famoso na internet.  O menino maior sofreu tanto bullying na escola que um dia resolveu reagir às provocações físicas de um garoto bem menor que ele.  Um perigo, devido à diferença de tamanho.  Ainda bem que o resultado foi só um joelho ralado!

Também é bullying físico esconder o material de alguém, rasgar livros e apostilas, jogar seu tênis num lugar inacessível, riscar sua bicicleta.  Destruir os bens de outro é mais uma forma que o bully acha para mostrar sua força.

Quando as crianças chegam ao Fundamental II e ao Ensino Médio, as ações podem ficar mais violentas e também sexualmente orientadas.  Atos humilhantes como colocar a cabeça de alguém na privada e dar descarga, baixar a calça de um menino ou levantar a saia de uma garota, tornam-se mais comuns.  O comportamento fica mais perigoso porque agora os alunos são mais fortes e maiores.

O toque sexual também é um problema para as meninas, principalmente aquelas que estão se desenvolvendo mais rápido e que os meninos julgam atraentes.

Todos os tipos de bullying são feitos para ferir seus sentimentos.  Mas o bullying físico fere seus sentimentos e seu corpo.  Provoca também prejuízos materiais como precisar comprar  outra apostila, ter a roupa rasgada e ficar sem o tênis, por exemplo.

 

VERBAL

 

Verbal é o tipo de bullying mais comum, usado tanto por meninos quanto por meninas.  São os apelidos, as gozações, a difamação, a crítica cruel, telefonemas abusivos, e-mails que intimidam, ameaças, fofocas, ‘brincadeiras’ sobre raça, religião e orientação sexual.  É mais fácil de fazer, porque pode ser só sussurrado, de forma que os adultos não escutem.  Pode vir através de bilhetinhos passados na turma escondido do professor. 

Existe um limite muito tênue entre as brincadeiras normais e o bullying verbal.  Como diferenciar entre os dois?  A brincadeira deve fazer parte do ambiente escolar e quando ela acontece todos se divertem.  Com o bullying não é assim!  Em geral um grupo se diverte, morre de rir e uma pessoa sofre, se sente humilhada e diminuída e o objetivo de quem faz as brincadeiras é este mesmo, ver o outro sofrer.

As crianças e jovens são muito sensíveis aos comentários que fazem sobre eles, porque ainda estão em desenvolvimento e não são suficientemente fortes para separar o que ouvem sobre si do que realmente são.  Uma menina que todos os dias enfrenta os comentários e gozações de que é gorda e feia, pode se isolar cada vez mais dos colegas e até se tornar anoréxica para ficar magra.

Nunca se esqueça disto: AS PALAVRAS PODEM MACHUCAR TANTO OU ATÉ MAIS QUE UM MURRO OU UM PONTAPÉ!!!

 

 

RELACIONAL

 

É o mais difícil de ser percebido.  Diminui incrivelmente a autoestima da vítima ao ser ignorada, excluída e evitada.  Muitos autores dizem que, para a vítima, é a pior forma de bullying.

Embora já possa ser identificado em crianças bem pequenas (não deixar uma criança brincar no grupo, encorajar os outros a não brincarem com certa criança), é muito comum na  adolescência, época em que uma das grandes preocupações é firmar a identidade pessoal e pertencer a um grupo.  Por isto magoa tanto ser propositalmente excluído pelos colegas.  Ser o único a não ser convidado para uma festa de aniversário, nunca ser chamado para ficar com o grupo na hora do recreio, nunca ir dormir na casa de colegas, etc.

É uma forma muito comum de bullying entre meninas e, pior, entre meninas que sempre foram amigas.  “Faça o que estou dizendo ou não serei mais sua amiga.” O medo da solidão é mais forte do que tudo.  Muitas vezes se aceita ir contra o que acha certo, pra não ficar sozinha no recreio, por exemplo.

 

“O bullying relacional inclui atos que magoam os outros ao prejudicar relacionamentos ou sentimentos de aceitação, amizade ou inclusão no grupo. O comportamento neste tipo de bullying é o de ignorar alguém para puni-lo ou fazer valer a própria vontade, excluir alguém socialmente por vingança, usar linguagem corporal ou expressões faciais negativas, sabotar os relacionamentos de alguém ou ameaçar terminar uma amizade se a amiga não concordar com um pedido.” Rachel Simmons, autora do livroGarota Fora do Jogo.

Existe também o tratamento silencioso, segundo Simmons.  Uma menina deixa de falar com outra e, sem avisar, dispensa sua amizade.  A rejeitada sem saber por que a amiga está zangada é consumida pelo pânico e pelo medo de perder para sempre a amizade e chega até a acreditar que a culpa é mesmo dela.

Olhem o que disse uma garota de 11 anos no livro Garota Fora do Jogo: “Quando você as ignora, as vítimas ficam com medo de tudo. Não entendem o que está acontecendo.” E outra diz: “A gente tenta descobrir porque elas estão zangadas com a gente e elas riem na nossa cara. Jogam o cabelo para trás e olham para o outro lado”.

O bullying relacional também pode acontecer com meninas bonitas.  Olha a carta que uma mãe escreveu para o Dr Beane, autor de livros sobre bullying e que dá muitas palestras mundo afora:

“Tenho certeza de que o senhor recebe muitos e-mails, mas espero que tenha tempo para me ajudar com um problema. Minha filha, Brook, é aluna nova no Ensino Médio de uma escola pequena. Ela é muito bonita e sociável.  Parece atrair as pessoas.  Obviamente os meninos da escola se interessaram muito por ela, especialmente um.  Ele tem namorada mas sempre quer ficar perto de Brook e conversar com ela.  Sua namorada, claro, está com ciúmes e agora está espalhando rumores de que minha filha não presta e que tem ataques nervosos.  Escuto Brook chorar na cama toda noite.  Meu coração fica partido..  Não sei o que fazer.  Ela não quer que eu ligue para os pais da menina e nem que eu converse na escola sobre o que está acontecendo.”

 

“O BULLYING RELACIONAL USA COMO ARMA OS RELACIONAMENTOS, EM VEZ DE PUNHOS E FACAS. NÃO HÁ GESTO MAIS DEVASTADOR DO QUE UM DAR AS COSTAS.”  Rachel Simmons

 

CYBERBULLYING OU BULLYING DIGITAL

 

O cyberbullying é o bullying da vez. Ninguém pode negar os benefícios da internet e do celular. Não dá nem para imaginar nossa vida hoje sem um computador, internet e celular, não é?

Mas, como todos os instrumentos e tecnologias, eles também podem ser mal usados e acarretar grandes danos a pessoas. O cyberbullying é um exemplo de como usar mal estes instrumentos que são tão úteis na nossa vida.

” O número de crianças relatando bullying on-line aumentou 50 por cento desde 2000″ (Fonte: U.S. Center for Disease Control and Prevention)

” Todos os seus amigos estão falando mal de você!” ” Se fosse você, não iria para a escola amanhã, vão te pegar!” “A festa foi ótima, maravilhosa! Você que é muito feia e chata foi a única a não ser convidada!”

Imagina se deparar com estas mensagens toda vez que abre sua caixa postal, no celular ou no computador…

Uma boa definição de cyberbullying é dada por Bill Belsey, um dos primeiros a estudar este tipo de bullying. Ele diz que

“Cyberbullying envolve o uso de tecnologias da informação e da comunicação como e-mails, celulares, pagers, mensagens instantâneas, salas de bate-papo, sites difamatórios, enquetes pessoais com fins pejorativos colocados on-line, etc., com a finalidade de legitimar comportamentos hostis, deliberados e repetitivos, produzidos individualmente ou em grupos, para causar danos a outros”.

Uma definição ainda mais clara de Bill Belsey

“O uso de tecnologias de informação e comunicação para apoiar comportamento deliberado, repetido e hostil por um indivíduo ou grupo, com a intenção de prejudicar outros.”

O cyberbullying tem algumas características próprias:

1. O agressor ou bully se esconde no anonimato, muitas vezes é difícil saber quem é, porque se utiliza de todos os recursos disponíveis para ficar escondido. Muito covarde!

2. A internet é muito rápida e um comentário, uma montagem de foto, por exemplo, são divulgados com extrema rapidez e logo se tornam públicos.

3. Com o bullying tradicional, a criança ou jovem chega em casa e se sente protegido. Com o cyberbullying isto não acontece. O tormento pode ser 24 horas por dia, com telefonemas e mensagens de madrugada, nas salas de bate-papo, nas redes sociais.

Algumas formas comuns de prática de cyberbullying:

a) Mensagens de texto -inúmeras mensagens de ameaça ou de provocação pela internet ou celular;

b)Blogs ou sites – mensagens humilhantes podem ser colocadas em blogs de colegas, assim como fotos comprometedoras que podem ser usadas contra a vítima;

c)Exclusão on-line – as redes sociais são o ambiente ideal para isto. Orkut e Facebook, por exemplo, podem não aceitar o jovem ou criança, ignorando-os no mundo virtual.. Também é comum não permitir que alguém participe dos jogos on-line;

d)Fotos digitais – os bullies podem se esconder em algum lugar inapropriado, como banheiro da escola, por exemplo e tirar fotos constrangedoras de suas vítimas. Em poucos minutos a foto pode ser enviada por celular, e-mail e colocada em blogs na internet e todos da escola terem acesso a ela.